terça-feira, 3 de dezembro de 2013

Seca obriga moradores do RN a gastar bolsa família com água potável

Moradores de Ipueira, no Seridó potiguar, precisam fazer fila para conseguir água  (Foto: Anderson Barbosa/G1)Moradores de Ipueira precisam fazer fila para conseguir água (Foto: Anderson Barbosa/G1)
Rio Grande do Norte enfrenta a pior seca dos últimos 50 anos, com estiagem que já dura mais de um ano em diversos municípios. A falta de água mudou a rotina de milhares de famílias carentes do sertão, que são obrigadas a gastar boa parte do dinheiro que recebem de programas sociais para poder beber, cozinhar e tomar banho.
No dia 19 de setembro, a governadora Rosalba Ciarlini decretou "situação de emergência por seca" em 150 dos 167 municípios do Estado. No mês de novembro, a Companhia de Águas e Esgotos do Rio Grande do Norte (Caern) informou que nove municípiospermanecem em colapso no abastecimento– quando a Caern admite que não tem condições de abastecer a cidade e suspende a emissão de faturas para os moradores.
Durante três dias, o G1 percorreu mais de 1.200 quilômetros de estradas de terra e de asfalto para ver quais são as dificuldades enfrentadas pelos moradores de Ipueira, Carnaúba dos Dantas, Equador, São José do Seridó, Antônio MartinsÁgua NovaJoão Dias, Pilões e São Francisco do Oeste. Além da morte de animais e da destruição de lavouras, foi possível ver que os moradores travam uma luta diária pela própria sobrevivência, em busca de água potável.
No domingo (1º), o "Fantástico" mostrou como funcionam os programas que combatem a seca com caminhões-pipa. O principal responsável pela distribuição no semiárido do Brasil é o Exército, que paga até R$ 15 mil mensais para cada um dos seis mil pipeiros responsáveis por levar água a 835 cidades, em nove estados, para quase quatro milhões de pessoas. Só em 2013, o governo já gastou mais de meio bilhão de reais no programa. Em dois meses de investigação, a reportagem encontrou tanques imundos, água contaminada e entregas que nunca foram feitas.
'Há dois anos só tomo banho de cuia'
Com o nível dos reservatórios muito baixos, a companhia estadual não consegue distribuir água em todas as cidades. Por conta disso, suspendeu a cobrança das contas em nove municípios, que dependem da chegada de carros-pipa. "Ninguém mais dá bom dia na rua. Primeiro a gente pergunta se tem água na caixa", disse a dona de casa Marina Medeiros, de 40 anos. Moradora de Ipueira, na região Seridó, ela busca água todas as manhãs nas caixas comunitárias abastecidas por caminhões
Robéria Danielle Dantas há dois anos só toma banho de cuia (Foto: Anderson Barbosa/G1)Robéria Danielle Dantas há dois anos só toma
banho de cuia (Foto: Anderson Barbosa/G1)
Não sei mais o que é tomar um banho decente. Há dois anos só tomo banho de cuia"
Robéria Danielle Dantas, promotora de vendas
Ana Santana acorda cedo e faz várias viagens até o chafariz da cidade para pegar água (Foto: Anderson Barbosa/G1)Ana Santana acorda cedo e faz várias viagens até o
chafariz atrás de água (Foto: Anderson Barbosa/G1)
Essa água verde que eu pego é fedida. Mesmo assim, é com ela que eu cozinho, dou banho nos meninos e preparo a nossa comida"
Ana Santana, dona de casa
Aguá servida para os moradores de Carnaúba dos Dantas, no Seridó do RN, é esverdeada e cheira mau (Foto: Anderson Barbosa/G1)Aguá servida para os moradores de Carnaúba é
verde e cheira mal (Foto: Anderson Barbosa/G1)
A produtora de vendas Robéria Danielle Dantas, de 27 anos, mora em Carnaúba dos Dantas e conta que teve que readaptar a vida por conta da escassez de água. A maior mudança, segunda ela, é não ter conforto para tomar banho. "Não sei mais o que é tomar um banho decente. Há dois anos só tomo banho de cuia."
Nas cidades visitadas, o G1 ouviu várias histórias de sofrimento por conta da seca. Brigas e ameaças na disputa por um lugar na fila dos chafarizes públicos e das caixas d'água comunitárias já viraram casos de polícia. Sem água nas torneiras, o pouco líquido que restou em poços e barragens é barrento e tem mau cheiro, impróprio para o consumo humano. Quem arrisca e bebe, adoece facilmente. Os mais frágeis, como crianças e idosos, sofrem com diarreia.
O comércio da água é o único beneficiado. Há relatos de quem largou a profissão para vender galões e barris a moradores. O vai e vem de caminhões e motocicletas adaptadas para transportar água já faz parte da paisagem há quase um ano. Quem tem cisterna, também precisa gastar dinheiro para encher os reservatórios. Quem não tem, improvisa com baldes e barris. Vasilhas decoram as calçadas.
Carnaúba dos Dantas
A primeira parada do G1 foi em Carnaúba dos Dantas. A cidade fica na região Seridó, a 220 km de Natal. No caminho, a movimentação de carros-pipa já deu sinais do quanto a ajuda é necessária. A maioria dos veículos faz parte da Operação Pipa, programa de responsabilidade do Exército brasileiro.
Apesar de não tomar banho de chuveiro há dois anos, Robéria não é beneficiada pela Operação Pipa. Ela diz que a água trazida pelos militares não é boa para o consumo e que por isso ela prefere ligar para os entregadores e comprar a água que usa para beber, tomar banho e para as atividades domésticas, como lavar roupa, cuidar da limpeza da casa e cozinhar.
Este não é o caso da dona de casa Ana Santana, de 45 anos. Mãe de três filhos, ela acorda cedo e faz várias viagens empurrando um carrinho de madeira até o chafariz público da cidade para pegar água. "Essa água verde que eu pego é fedida e não presta pra beber. Mesmo assim, é com ela que eu cozinho, dou banho nos meninos e preparo a nossa comida", relatou.
Segundo o coronel Marcelo Pellense, coordenador do programa no Rio Grande do Norte, em 113 municípios do estado caminhões foram contratados para levar água aos desassistidos pela seca. "Toda a água que o Exército fornece é potável, vem da própria Caern e é apropriada para o consumo. Nas cidades em que a Caern não tem de onde tirar água, são os municípios que indicam os mananciais. A cada 30 dias as prefeituras precisam nos enviar relatórios de análise da qualidade da água", ressaltou o oficial.
De acordo com o coronel Josenildo Acioli, coordenador da Defesa Civil no Rio Grande do Norte, o estado mantém carros-pipa em 24 municípios que não fazem parte da lista dos 113 que já são assistidos pelo Exército. E, segundo ele, a água ofertada à população também é apropriada para o consumo.
Ainda segundo Acioli, a água que é fornecida gratuitamente para estas 24 cidades pode acabar – incluindo João Dias, Pilões e São Francisco do Oeste. Para evitar que isso ocorra – uma vez que só há recursos para garantir o fornecimento até o final de janeiro do ano que vem – o órgão está apelando ao governo federal.
"Protocolamos em outubro, junto à Secretaria Nacional da Defesa Social, um pedido de mais recursos. Ainda não tivemos resposta, mas precisamos prorrogar o nosso programa de atendimento por pelo menos mais seis meses. Para isso, são necessários R$ 9,2 milhões", afirmou Acioli. Continue lendo...
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